Domingo, 31 de Maio de 2009
DESAPARECEU EM COMBATE, OU DESERTOU?

CRÓNICAS DA MINHA TERRA

DESAPARECEU EM COMBATE, OU DESERTOU?

É por demais conhecido, a má imagem e a pouca consideração que os portugueses têm pelos políticos, em especial pelos deputados dos parlamentos Nacional e Regional, catalogando-os com todos os adjectivos possíveis e imaginários.

Acredito que, muitas das críticas e dos adjectivos sejam injustos, porque como em todas as profissões, também nos deputados haverá os bons, os menos bons e os maus, mas, muitas vezes, são os próprios políticos que se põem a jeito para que o público assim os classifique.

Não foi isso que os senhores deputados fizeram nas últimas semanas, dando tiros, certeiros, nos pés?

Na Assembleia da Republica, foi aprovada, quase em segredo, uma Lei de financiamentos dos partidos, que por mera coincidência (?), foi aprovada por todos os partidos, e, só não o foi por unanimidade, porque houve uma honrosa excepção, a do deputado António José Seguro do PS, que votou contra.

Até o BE que se afirma como paladino das liberdades, da lisura de processos e da transparência da vida política, votou a favor, o que não deixa de ser enigmático.

Num momento em que, os senhores deputados, deviam estar empenhados em encontrar soluções para resolver a profunda crise em que o País está mergulhado, com o desemprego a aumentar catastroficamente, as famílias a viverem com imensas dificuldades, a pobreza aumentar todos os dias, cada vez mais pessoas a não ter que comer, etc, o que preocupa os deputados de Portugal, pagos a peso de ouro pelos impostos dos portugueses que vivem com enormes dificuldades, é assegurar o financiamento das suas agências de emprego.

Esta Lei, vem provar que os partidos não estão interessados em travar a corrupção e muito menos acabar com ela, porque assim, podem receber dinheiro vivo por baixo e por cima da mesa, sem qualquer constrangimento legal.

Sim senhor, que lindo exemplo. Que raio de democracia é esta? Que raio de País é este?

No entanto, nos Açores, os deputados regionais, também não quiseram ficar atrás e com toda a sua petulância, em vez de se preocuparem com questões de fundo, preocuparam-se foi com um tema sem interesse e sem qualquer urgência, como as touradas picadas.

Nada tenho contra as touradas picadas, ou não picadas, até gosto de touradas, mas, o que não se pode admitir é que 57 deputado, principescamente pagos, em vez de se preocuparem a tentar resolver problemas concretos dos Açores, levem o seu tempo a dar uma péssima imagem do parlamento, aliás, os dias em que este tema foi “discutido” no parlamento regional, foi uma vergonha, com pedidos sucessivos de adiamento da votação, por vários partidos, para ver se chegava um deputado que tinha subscrito a proposta mas que não aparecia, chegando ao ponto de a RTP/A dizer que o deputado do Corvo estava desaparecido. Será que desapareceu em combate?

Ou desertou por medo de ser “picado” no combate?

Lamentavelmente, nestes três dias, falaram mais do deputado do Corvo, que em mais de quatro anos que já leva de parlamento. É pena que não tenha sido pelas melhores razões.

II

Este ano, foi decidido que o dia da Autonomia vai ser celebrado no Canadá.

Quando estamos numa profunda crise, não só nos Açores, mas em todo o Mundo, será que é o momento mais oportuno para o fazer?

Não está em causa o local e compreendo que a decisão de realizar esta comemoração, tem de ser tomada com antecedência e, possivelmente, quando foi decidida esta opção, ainda não estávamos na actual situação económica.

No entanto, atendendo ao momento de crise em que estamos mergulhados, não se podia conter alguns dos gastos?

Será imprescindível que vão, ao Canadá, todos os 57 Deputados Regionais?

Será fundamental que vão tantos membros do governo e tantos convidados?

Fiquei chocado quando ouvi o deputado, Artur Lima, afirmar que a ida de todos os deputados era uma questão de dignificar o parlamento no Canadá.

Óh senhor deputado, pelo amor de Deus, a dignificação do parlamento, não é, nem nunca será, directamente proporcional à quantidade, mas sim à qualidade dos deputados.

Este despesismo é um ultraje e um desrespeito para com todos aqueles que, com os seus impostos, vão suportar este esbanjamento, enquanto a maioria dos contribuintes vivem com dificuldades para conseguirem cumprir com os seus compromissos, para manter os filhos nas creches e nas escolas e até para lhes dar de comer.

Haja vergonha, haja bom senso, porque depois, bem, depois, não se admirem que os eleitores estejam cada vez mais divorciados dos seus eleitos e que a abstenção cada vez mais ultrapasse os 50%. O próximo dia 07 de Junho se encarregará de o demonstrar.

O grupo Vencidos da Vida, constituído por figuras de relevo da vida intelectual e política, como Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz e vários outros, num dos seus jantares em 1888, definiram assim a política: “A POLITICA NÃO PASSA DE UM BANQUETE, O CASO É SABER QUEM A PAGA”. “OS VENCIDOS TÊM POR COSTUME PAGAR O SEU”. Só que a política de hoje sabemos, muito bem, quem a paga.

 

P.S. – Já tinha este artigo concluído, quando, ontem, vi e ouvi na RTP/A, o Presidente do Governo Regional a afirmar que o VOTO devia ser obrigatório. Nem queria acreditar, pensei que estava a sonhar, esfreguei os olhos para ter a certeza que estava acordado e que não era o camarada Hugo Chávez, que estava dizendo tal absurdo.

Senhor Presidente César, se há coisa que a democracia nos proporciona, é a liberdade de votarmos em quem quisermos e até de não votar. A abstenção não se combate com Leis, mas sim, com a verdade, com políticas e acções concretas junto do eleitorado. Se hoje, V.Exª. governa legitimado por apenas cerca de um terço do eleitorado, é o momento para fazer um exame de consciência e analisar as causas de tal situação.

Se tal disparate fosse por diante, uma coisa posso afirmar, já mais iria votar, quais quer que fossem as consequências, nem mesmo com uma G3 apontada à cabeça. Garantidamente!

 



publicado por LFF às 09:34
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